domingo, 3 de agosto de 2014

Interiores domésticos portugueses, finais do século XIX para o XX



No decorrer das publicações têm-se colocado várias fotografias de interiores domésticos portugueses, mas hoje iremos disponibilizar fotografias de interiores domésticos portugueses, os quais reflectem o conforto burguês e a evolução tecnológica.

A iluminação em finais do século XIX era assegurada por diversos combustíveis que são, entre outros:



- gás;



- azeite;



- petróleo;



- cera;



- electricidade.




Fotografias de três salas no Palácio da Mitra, em Lisboa, sem data. Os lustres, sem velas, são visíveis e a ausência de candeeiros a petróleo, os quais eram retirados durante o dia para manutenção.

Fotografias de José Artur Leitão Bárcia retirada do site de pesquisa da Câmara Municipal de Lisboa.



As velas são um meio intemporal de iluminação mas, em finais do seculo XVIII, o inventor suíço François Pierre Ami Argand (1750 – 1803) patenteou, em 1780, a lâmpada Argand.




Alçado e cortes do queimador e lâmpada Argand.

Ilustração retirada do seguinte link:




O combustível é o óleo de colza, o óleo de baleia ou o azeite (usado desde o tempo dos romanos) colocado num reservatório. O queimador, com torcida, é protegido por uma chaminé em vidro. Este tipo de lâmpada revolucionou a iluminação na Europa, levando ao seu aperfeiçoamento anos mais tarde.
O relojoeiro francês Bernard Guillaume Carcel (1750 – 1818) aperfeiçoou a lâmpada Argand, colmatando os seus inconvenientes, e criou em 1800 a lâmpada Carcel.
O reservatório encontra-se abaixo do queimador, com um sistema de bombagem e mecanismos de relógio, que elevam o combustível para o queimador. A capacidade do reservatório dá para 16 horas ininterruptas de luz.
Este tipo de candeeiros complexos, de manutenção regular eram dispendiosos e estavam reservados a um determinado consumidor.
No ano de 1836, patenteado a 10 de Agosto, o inventor Charles-Louis-Félix Franchot (1809 – 1881) inventou o famoso candeeiro tipo Modérateur.
O sistema é aperfeiçoado do candeeiro tipo Carcel, onde um êmbolo de couro e mola substituem o mecanismo de relógio. A sua produção estende-se até à Primeira Guerra Mundial, caindo depois em desuso.
Este tipo de candeeiros, assim como os Solar e os Astral, entre outros, são todos a óleo animal ou vegetal.




Sala de estar pertencente a Júlio Carlos Mardel de Arriaga Velho Cabral da Cunha Godolphin, em Lisboa, sem data. De cada lado do canapé, em colunas metálicas de pé de galo, há dois candeeiros tipo Carcel ou Modérateur.

Fotografia de José Artur Leitão Bárcia retirada do site de pesquisa da Câmara Municipal de Lisboa.




Atelier de escultura de Dona Maria Luísa de Sousa Holstein, 3ª duquesa de Palmela, no seu Palácio em Lisboa. O mesmo tipo de candeeiros, em colunas, de cada lado da lareira. Fotografia da autoria de Francesco Rocchini.

Ilustração retirada do site de pesquisa da Câmara Municipal de Lisboa.




Sala verde no Palácio do Conde de Sabugosa, em Lisboa, 1910. Numa das mesas temos um magnífico candeeiro tipo Modérateur, com um animal enroscado ao longo do corpo principal. Na lareira outro candeeiro do mesmo género com uma renda ao longo do abat-jour. Fotografia de Augusto Bobone.

Ilustração retirada do site de pesquisa da Câmara Municipal de Lisboa.




Outra sala no Palácio de Santo Amaro, pertencente ao Conde de Sabugosa. Na cómoda papeleira há um elegante par de candeeiros tipo Carcel ou Modérateur.

Fotografia de José Artur Leitão Bárcia retirada do site de pesquisa da Câmara Municipal de Lisboa.




Sala no Palácio de Santo Amaro, pertencente ao Conde de Sabugosa, sem data. No armário com livros há um par de candeeiros, Carcel ou Modérateur. Na secretária há dois candeeiros com seus respectivos abat-jours.



Fotografia de José Artur Leitão Bárcia retirada do site de pesquisa da Câmara Municipal de Lisboa.







Este tipo de candeeiros surge esporadicamente em leilões no nosso país. Estranhamente são sempre anunciados como sendo a petróleo, pois o desconhecimento e ignorância do público são desastrosos.

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